Jovens, tecnologia e sociedade

Norbert Wildermuth

O professor da Universidade do Sul da Dinamarca, Nobert Wildermuth, Ph.D., esteve no PPGCOM na última terça (15) e falou um pouco sobre duas de suas pesquisas mais recentes. O primeiro estudo tratava da apropriação da mídia de massa (televisão) por jovens desprivilegiados e tinha um enfoque duplo: sócio-psicológico (conteúdo da comunicação) e mídio-etnográfico (contexto da comunicação). Uma das constatações desse primeiro estudo foi que os jovens, ao se apropriarem da mídia, tentam construir sentidos para si mesmos, como, por exemplo, quais estilos de vida são apropriados.

A influência da televisão no cotidiano social também foi abordada. Para o pesquisador, a televisão pode servir para orientar práticas diárias, como a hora de dormir ou de ir trabalhar. Além disso, a mídia de massa também pode funcionar como uma ponte de junção social, onde são criadas comunalidades entre os indivíduos. Um exemplo são as conversas sobre programas populares de televisão, onde o ponto mais importante, muitas vezes, é a interação social e não o conteúdo.

Democracia eletrônica – Na segunda parte da palestra, onde o foco foi na sua atual pesquisa sobre ativismo online, Wildermuth concentrou-se mais em falar sobre democracia eletrônica ou e-democracy, que significa o uso de Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), como a Internet, para estabelecer sociedades mais democráticas.

Na Internet, a comunicação é mais interativa e participativa. Por sua vez, a comunicação política torna-se mais descentralizada e variada nas suas origens, no seu escopo e nos seus efeitos. Os protestos contra a China, que se multiplicam por todo o mundo, seriam um exemplo do poder de comunicação da Internet. O grande volume de comunicação da Internet, ainda traz muita grosseria, agressividade e falta de respeito. O professor Norbert tem a perspectiva que isso tende a diminuir com o tempo, citando como referência o início da mídia impressa, quando, segundo o palestrante, eram comuns panfletos contendo ofensas pessoais.

Os avanços da Internet nos últimos anos tornaram-na mais poderosa. Com a mais banda larga, é possível trocar não somente textos, como também imagens, sons e vídeos com facilidade. Outro exemplo são as conexões sem fio (wireless) que permitem um acesso ubíquo, vinculado a indivíduos e não a lugares (residências e empresas).

Contudo, o ativismo online ainda exclui os desprivilegiados, visto que há barreiras como a falta de acesso a equipamentos e a falta de experiência com o universo digital. Em acréscimo, algumas tentativas de democratizar o acesso à Internet falham por tentar fazer as pessoas usarem a tecnologia sem ter a preocupação sobre que necessidade/motivação existe para que essas pessoas usem-na.

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